Chão Sagrado
Quando a mata vira templo, defender a natureza é defender o sagrado.
No Parque São Bartolomeu, sacerdotes do axé percorrem mata e cachoeira como território sagrado, sustentando cura e continuidade ancestral pelas folhas, enquanto enfrentam nascentes feridas, água poluída e o racismo ambiental que empurra sua fé para longe do próprio chão.
Permeado entre indígenas e afrodescendentes, o conhecimento é oral, passado do curandeiro para aprendiz, de geração em geração, com poucos registros escritos produzidos pela própria comunidade.
Muitas das receitas para remédios naturais só são conhecidas por quem é iniciado em práticas de cura e em seus significados sagrados, num contato íntimo com o meio ambiente.
A preservação dos rituais da comunidade é essencial para manter a identidade e garantir a manutenção e preservação das tradições culturais brasileiras
Em Salvador, o Parque São Bartolomeu não é só o “pulmão” da cidade. Para o povo de axé, é chão de fundamento, onde rio, cachoeira e folha sustentam cura, memória e continuidade ancestral. A ialorixá Sueli Conceição entra na mata como se entra no sagrado: pede licença, observa, nomeia, explica o que cada planta carrega e por que, sem folha, não existe culto.
No parque, o ogan Alan e outros sacerdotes caminham entre as árvores contando histórias do que esse lugar já foi. Lembram das cachoeiras cheias, das romarias, dos banhos e das folhas que se encontravam com facilidade. E, ao mesmo tempo, apontam o que mudou: a água que já não corre como antes, o lixo, o esgoto, as nascentes feridas, a dificuldade crescente de manter vivo o que sempre sustentou o axé.
A câmera acompanha também Gilmara Santos, Mãe Gilmaria, no preparo das folhas e no culto à Cabocla Iracema, deixando claro que ritual não é “tradição bonita”. É regra de cuidado, de relação e de responsabilidade com o território.
Só que o que sempre curou também está adoecendo. Nascentes degradadas, água poluída, lixo e esgoto ocupam lugares onde antes havia banho e romaria. No meio dessa ferida aberta, a fala de Mestre Careca costura cultura e natureza. E o episódio chama o problema pelo nome: racismo ambiental, quando o sagrado vira área “descartável” e a fé é empurrada para longe do próprio chão.
Em Salvador, o Parque São Bartolomeu não é só o “pulmão” da cidade. Para o povo de axé, é chão de fundamento, onde rio, cachoeira e folha sustentam cura, memória e continuidade ancestral. A ialorixá Sueli Conceição entra na mata como se entra no sagrado: pede licença, observa, nomeia, explica o que cada planta carrega e por que, sem folha, não existe culto.
No parque, o ogan Alan e outros sacerdotes caminham entre as árvores contando histórias do que esse lugar já foi. Lembram das cachoeiras cheias, das romarias, dos banhos e das folhas que se encontravam com facilidade. E, ao mesmo tempo, apontam o que mudou: a água que já não corre como antes, o lixo, o esgoto, as nascentes feridas, a dificuldade crescente de manter vivo o que sempre sustentou o axé.
A câmera acompanha também Gilmara Santos, Mãe Gilmaria, no preparo das folhas e no culto à Cabocla Iracema, deixando claro que ritual não é “tradição bonita”. É regra de cuidado, de relação e de responsabilidade com o território.
Só que o que sempre curou também está adoecendo. Nascentes degradadas, água poluída, lixo e esgoto ocupam lugares onde antes havia banho e romaria. No meio dessa ferida aberta, a fala de Mestre Careca costura cultura e natureza. E o episódio chama o problema pelo nome: racismo ambiental, quando o sagrado vira área “descartável” e a fé é empurrada para longe do próprio chão.




Criação e Roteiro Direção: Carolina Moraes-Liu
Direção: Carolina Moraes-Liu
Direção de Fotografia: Rogério Sampaio
Direção de Arte: Yata Andersen
Produção Executiva: Candida Luz Liberato
Coordenação de Produção: Carla Copello
Controller: Renato ScopVam
Criação e Roteiro Direção: Carolina Moraes-Liu
Direção: Carolina Moraes-Liu
Direção de Fotografia: Rogério Sampaio
Direção de Arte: Yata Andersen
Produção Executiva: Candida Luz Liberato
Coordenação de Produção: Carla Copello
Controller: Renato ScopVam



Arrancados percorre comunidades em Salvador, Abrantes e Camaçari para mostrar a luta pela terra e pela titularidade como uma disputa por vida, memória e continuidade. Entre terreiros, quilombos e territórios indígenas, o conhecimento botânico das comunidades tradicionais surge como fundamento de cura, proteção e identidade, transmitido no corpo, no ritual e na prática cotidiana. Mulheres em posição de liderança, ialorixás, cacicas, majés e ekedes sustentam redes de cuidado e resistência enquanto enfrentam invasões, racismo ambiental, cercamentos e a violência que tenta empurrar o sagrado para longe do próprio chão. Do Parque São Bartolomeu, território sagrado para comunidades tradicionais, à Feira de São Joaquim, onde o saber circula de mão em mão entre bancas e raízes, a série costura espiritualidade, conhecimento botânico e justiça para afirmar uma verdade simples: território não é recurso, é pertencimento. Em um dos episódios, a jornada também cruza Brasília, acompanhando uma comunidade indígena em luta por território e ouvindo representantes de órgãos oficiais, para mostrar como essa disputa se decide tanto no chão quanto no papel.
Arrancados percorre comunidades em Salvador, Abrantes e Camaçari para mostrar a luta pela terra e pela titularidade como uma disputa por vida, memória e continuidade. Entre terreiros, quilombos e territórios indígenas, o conhecimento botânico das comunidades tradicionais surge como fundamento de cura, proteção e identidade, transmitido no corpo, no ritual e na prática cotidiana. Mulheres em posição de liderança, ialorixás, cacicas, majés e ekedes sustentam redes de cuidado e resistência enquanto enfrentam invasões, racismo ambiental, cercamentos e a violência que tenta empurrar o sagrado para longe do próprio chão. Do Parque São Bartolomeu, território sagrado para comunidades tradicionais, à Feira de São Joaquim, onde o saber circula de mão em mão entre bancas e raízes, a série costura espiritualidade, conhecimento botânico e justiça para afirmar uma verdade simples: território não é recurso, é pertencimento. Em um dos episódios, a jornada também cruza Brasília, acompanhando uma comunidade indígena em luta por território e ouvindo representantes de órgãos oficiais, para mostrar como essa disputa se decide tanto no chão quanto no papel.
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