A Terra Não Tem Preço
Quando a cidade acelera, permanecer vira um ato diário de coragem.
No Santuário dos Pajés em Brasília, Márcia e Santixie Guajajara reconstroem herbário e viveiros após incêndios criminosos e invasões, enquanto burocracia, empreiteiros e projetos urbanos disputam um território que é escola viva de cura e ancestralidade.
Permeado entre indígenas e afrodescendentes, o conhecimento é oral, passado do curandeiro para aprendiz, de geração em geração, com poucos registros escritos produzidos pela própria comunidade.
Muitas das receitas para remédios naturais só são conhecidas por quem é iniciado em práticas de cura e em seus significados sagrados, num contato íntimo com o meio ambiente.
A preservação dos rituais da comunidade é essencial para manter a identidade e garantir a manutenção e preservação das tradições culturais brasileiras
No Santuário dos Pajés, em Brasília, a xamã Márcia Guajajara se apresenta como liderança da Terra. A área foi demarcada, mas a escritura não chega, e o território segue disputado em mapas, cercas e promessas quebradas. Com a pressão de empreiteiros e projetos urbanos, a ameaça se atualiza em invasões e intimidações. Quando incêndios criminosos atingem o território e destroem o herbário e viveiros, o ataque não queima só plantas. Tenta apagar uma escola viva, um arquivo de cura e um futuro possível. Márcia recomeça, refaz mudas, reconstrói o herbário e insiste, no dia a dia, que preservar não é frase de efeito, é rotina.
Em paralelo, na Bahia, Renata Tupinambá e Majé Rívia Tupinambá descrevem outro cerco, agora na costa e na restinga. Estrada, trator, condomínio e hotel avançam sobre áreas onde antes se buscavam ervas e sementes. O que some do chão some do corpo, e a escolha entre ficar em risco ou recuar por segurança aparece com toda a dureza. No fim, o episódio sustenta uma ideia simples e incômoda: a terra é para preservar, sim, mas também para cultuar.
No Santuário dos Pajés, em Brasília, a xamã Márcia Guajajara se apresenta como liderança da Terra. A área foi demarcada, mas a escritura não chega, e o território segue disputado em mapas, cercas e promessas quebradas. Com a pressão de empreiteiros e projetos urbanos, a ameaça se atualiza em invasões e intimidações. Quando incêndios criminosos atingem o território e destroem o herbário e viveiros, o ataque não queima só plantas. Tenta apagar uma escola viva, um arquivo de cura e um futuro possível. Márcia recomeça, refaz mudas, reconstrói o herbário e insiste, no dia a dia, que preservar não é frase de efeito, é rotina.
O episódio traz também Santixie Tapuia Guajajara, que fala de crescer no Santuário e de enfrentar a burocracia para existir com nome indígena. Ele lembra o pai, a luta pela territorialidade e a morte dele durante essa batalha, e liga essa história à continuidade que nasce da reconstrução do herbário. Na escuta jurídica, Edelamare Barbosa Melo, subprocuradora geral do Trabalho no Ministério Público do Trabalho, mulher indígena, traduz o essencial: território é vida que não se negocia.
Em paralelo, na Bahia, Renata Tupinambá e Majé Rívia Tupinambá descrevem outro cerco, agora na costa e na restinga. Estrada, trator, condomínio e hotel avançam sobre áreas onde antes se buscavam ervas e sementes. O que some do chão some do corpo, e a escolha entre ficar em risco ou recuar por segurança aparece com toda a dureza. No fim, o episódio sustenta uma ideia simples e incômoda: a terra é para preservar, sim, mas também para cultuar.




Criação e Roteiro: Carolina Moraes-Liu
Direção: Carolina Moraes-Liu
Direção de Fotografia: Rogério Sampaio
Direção de Arte: Yata Andersen
Produção Executiva: Candida Luz Liberato
Coordenação de Produção: Carla Copello
Controller: Renato ScopVam
Criação e Roteiro Direção: Carolina Moraes-Liu
Direção: Carolina Moraes-Liu
Direção de Fotografia: Rogério Sampaio
Direção de Arte: Yata Andersen
Produção Executiva: Candida Luz Liberato
Coordenação de Produção: Carla Copello
Controller: Renato ScopVam





Arrancados percorre comunidades em Salvador, Abrantes e Camaçari para mostrar a luta pela terra e pela titularidade como uma disputa por vida, memória e continuidade. Entre terreiros, quilombos e territórios indígenas, o conhecimento botânico das comunidades tradicionais surge como fundamento de cura, proteção e identidade, transmitido no corpo, no ritual e na prática cotidiana. Mulheres em posição de liderança, ialorixás, cacicas, majés e ekedes sustentam redes de cuidado e resistência enquanto enfrentam invasões, racismo ambiental, cercamentos e a violência que tenta empurrar o sagrado para longe do próprio chão. Do Parque São Bartolomeu, território sagrado para comunidades tradicionais, à Feira de São Joaquim, onde o saber circula de mão em mão entre bancas e raízes, a série costura espiritualidade, conhecimento botânico e justiça para afirmar uma verdade simples: território não é recurso, é pertencimento. Em um dos episódios, a jornada também cruza Brasília, acompanhando uma comunidade indígena em luta por território e ouvindo representantes de órgãos oficiais, para mostrar como essa disputa se decide tanto no chão quanto no papel.
Arrancados percorre comunidades em Salvador, Abrantes e Camaçari para mostrar a luta pela terra e pela titularidade como uma disputa por vida, memória e continuidade. Entre terreiros, quilombos e territórios indígenas, o conhecimento botânico das comunidades tradicionais surge como fundamento de cura, proteção e identidade, transmitido no corpo, no ritual e na prática cotidiana. Mulheres em posição de liderança, ialorixás, cacicas, majés e ekedes sustentam redes de cuidado e resistência enquanto enfrentam invasões, racismo ambiental, cercamentos e a violência que tenta empurrar o sagrado para longe do próprio chão. Do Parque São Bartolomeu, território sagrado para comunidades tradicionais, à Feira de São Joaquim, onde o saber circula de mão em mão entre bancas e raízes, a série costura espiritualidade, conhecimento botânico e justiça para afirmar uma verdade simples: território não é recurso, é pertencimento. Em um dos episódios, a jornada também cruza Brasília, acompanhando uma comunidade indígena em luta por território e ouvindo representantes de órgãos oficiais, para mostrar como essa disputa se decide tanto no chão quanto no papel.